O post
(perdi o link pro post da doidinha, mas era uma mina que falava sobre a música "two-headed boy" e a sua convivência com um feto de duas cabeças numa jarra. ela trabalhava num museu de ciências naturais aí, alguma coisa do tipo)
A fauna do ceubinho tendo sido devidamente observada e comentada, a conversa se apagava, e com ela os ânimos; alguém então achou por bem lançar mão de uma figura de peso na fauna universitária, antes que neguinho fosse pra aula: o bebê-ciclope. personagem central no museu da FS*, aparentemente, não tinha sua existência reconhecida por todos ali, daí que um grupo foi formado para investigar o caso depois do almoço. o grupo de audaciosos quem-vai-almoçar-aqui-hoje consistia, acredito, neste que vos fala, no joão e um terceiro elemento (bem possivelmente o pará, embora possa também ser o félix ou o dalua, ou até mesmo dois destes três,permutação livre, sendo assim o terceiro elemento possivelmente também o quarto). eu, que nem sabia da existência do prédio da FS, achei que a novidade daria uma injeção de ânimo calouro em minhas veias amortecidas pelo feijão e farinha do RU. daí que quis ir logo depois do almoço, quando o calor é indecente e todo tipo de atividade deveria ser proibida.
espírito de aventura tão desmedido deve ter nos conduzido ao local em uma hora em que ninguém andava por ali. desses lugares tão vazios que a palavra vivalma vem à mente. mas não é que fosse simplesmente um prédio ermo, com seus pátios e corredores desbotados; a aparência que dava é que quem deixara aquele lugar o deixara em debandada, derrubando folhas pelo chão e agitando os braços para cima. havia um cadeira virada no chão, no meio do nada, e não havia ninguém atrás do balção do vigia (bedel?). o posto de vigia ali na entrada, aliás, contribuía pro jeitinho laboratorial dos corredores, que pareciam suplicar por transeuntes de jaleco. foi essa, então, a primeira evidência que aquela seria a locação ideal para o resident evil 3, caso walter salles decidisse filmá-lo**.
depois de andar um pouco e subir escadas a esmo sem encontrar a quem perguntar a localização da sala onde se improvisava o museu, a coisa tomou um ar de brincadeira que vai ficando séria. em um canto havia um carrinho de limpeza sem faxineiro por perto, e concordamos tacitamente em não comentar o assunto, como que para não atrair. enfim o terceiro elemento decidiu tomar a liderança (acho que já tinha ido de outra vez, e lembrou do caminho aos poucos, não sei) e chegamos a um corredor onde se via portas abertas e gente tendo aula, o que seria mais tranqüilizante, não tivessem cadáveres pelas mesas da sala de aula. evitando maiores contatos visuais, fomos a passos largos ao museu, que consistia numa sala pequena com vários jarros de formol em prateleiras e um estudante de medicina supervisionando as visitas num caderno da tilibra. o clima resident evil tinha chegado a tal ponto que o bebê-ciclope pareceu inofensivo, ali numa jarrinha de palmito costurado e deformado pela refração no
formol ( além de deformado pela natureza, isto é ***). a assepsia agressiva do lugar deixou os sentidos meio entorpecidos, e a farofa com feijão começou a pesar o sangue, daí que estávamos todos mais tranqüilos quando deixamos o museu e nos dirigimos à escada norte, que nos forçaria a atravessar o corredor em todo seu comprimento. Foi quando em algum lugar entre o museuzinho e as salas com defuntos nas mesas uma porta de castelo do nosferatu apareceu inadvertidamente. mentira, havia advertências: papéis A4 impressos em Times tamanho 72 avisando para não abri-la, mas nos quais só reparamos quando a porta atraiu os olhares com a presença irresistível de algo que parece uma brecha na realidade, ou que a gente precisa de um tempo de loading pra assimilar. a porta era de madeira envernizada, com chapas escuras de metal e ferrolhos de um tamanho que você só compra se você quer impedir mamíferos banhados em uzi de saírem de algum lugar. todo o clima resident evil caiu novamente sobre nossas cabeças, todos sentindo que aquela era o tipo de porta que você salva antes de abrir, e, temerários, todos com vontade de abrí-la, mas com medo de ter que pagar algum nitrogênio líquido que vazasse, ou arriscar a vida dos companheiros, etc. ademais, nenhum de nós satisfatoriamente armados, concluímos que não era aventura para nosso nível, e que era melhor voltar à fauna segura do ceubinho, com seus meio-orcs ou bissexuais que pedem quatro cigarros de uma vez. ao menos é como me lembro.
*é FS, né? Fiquei sabendo o que era FS nesse dia, eu acho.
** pensei na angelina jolie, mas talvez contratá-la para o papel de Alice, ela que já fez Tomb Raider, seja como contratar o aranha tobey maguire para o papel de robin de algum futuro batman. no mínimo elimina possibilidades de crossover. (*)
*** com todo respeito, cada qual é cada cual; tenho, aliás, grande respeito pelos ciclopes, cuja organização social é a mais interessante da Odisséia e a que mais se assemelha àquela comunidade do Life of Brian que não reconhece a autoridade real.
(*) a menos que quando o maguire aranha e o maguire robin se encontrassem ficasse aquela tênue aura azul-fantasmagórico dos encontros chapolim-chaves. aí seria fera.
A fauna do ceubinho tendo sido devidamente observada e comentada, a conversa se apagava, e com ela os ânimos; alguém então achou por bem lançar mão de uma figura de peso na fauna universitária, antes que neguinho fosse pra aula: o bebê-ciclope. personagem central no museu da FS*, aparentemente, não tinha sua existência reconhecida por todos ali, daí que um grupo foi formado para investigar o caso depois do almoço. o grupo de audaciosos quem-vai-almoçar-aqui-hoje consistia, acredito, neste que vos fala, no joão e um terceiro elemento (bem possivelmente o pará, embora possa também ser o félix ou o dalua, ou até mesmo dois destes três,permutação livre, sendo assim o terceiro elemento possivelmente também o quarto). eu, que nem sabia da existência do prédio da FS, achei que a novidade daria uma injeção de ânimo calouro em minhas veias amortecidas pelo feijão e farinha do RU. daí que quis ir logo depois do almoço, quando o calor é indecente e todo tipo de atividade deveria ser proibida.
espírito de aventura tão desmedido deve ter nos conduzido ao local em uma hora em que ninguém andava por ali. desses lugares tão vazios que a palavra vivalma vem à mente. mas não é que fosse simplesmente um prédio ermo, com seus pátios e corredores desbotados; a aparência que dava é que quem deixara aquele lugar o deixara em debandada, derrubando folhas pelo chão e agitando os braços para cima. havia um cadeira virada no chão, no meio do nada, e não havia ninguém atrás do balção do vigia (bedel?). o posto de vigia ali na entrada, aliás, contribuía pro jeitinho laboratorial dos corredores, que pareciam suplicar por transeuntes de jaleco. foi essa, então, a primeira evidência que aquela seria a locação ideal para o resident evil 3, caso walter salles decidisse filmá-lo**.
depois de andar um pouco e subir escadas a esmo sem encontrar a quem perguntar a localização da sala onde se improvisava o museu, a coisa tomou um ar de brincadeira que vai ficando séria. em um canto havia um carrinho de limpeza sem faxineiro por perto, e concordamos tacitamente em não comentar o assunto, como que para não atrair. enfim o terceiro elemento decidiu tomar a liderança (acho que já tinha ido de outra vez, e lembrou do caminho aos poucos, não sei) e chegamos a um corredor onde se via portas abertas e gente tendo aula, o que seria mais tranqüilizante, não tivessem cadáveres pelas mesas da sala de aula. evitando maiores contatos visuais, fomos a passos largos ao museu, que consistia numa sala pequena com vários jarros de formol em prateleiras e um estudante de medicina supervisionando as visitas num caderno da tilibra. o clima resident evil tinha chegado a tal ponto que o bebê-ciclope pareceu inofensivo, ali numa jarrinha de palmito costurado e deformado pela refração no
formol ( além de deformado pela natureza, isto é ***). a assepsia agressiva do lugar deixou os sentidos meio entorpecidos, e a farofa com feijão começou a pesar o sangue, daí que estávamos todos mais tranqüilos quando deixamos o museu e nos dirigimos à escada norte, que nos forçaria a atravessar o corredor em todo seu comprimento. Foi quando em algum lugar entre o museuzinho e as salas com defuntos nas mesas uma porta de castelo do nosferatu apareceu inadvertidamente. mentira, havia advertências: papéis A4 impressos em Times tamanho 72 avisando para não abri-la, mas nos quais só reparamos quando a porta atraiu os olhares com a presença irresistível de algo que parece uma brecha na realidade, ou que a gente precisa de um tempo de loading pra assimilar. a porta era de madeira envernizada, com chapas escuras de metal e ferrolhos de um tamanho que você só compra se você quer impedir mamíferos banhados em uzi de saírem de algum lugar. todo o clima resident evil caiu novamente sobre nossas cabeças, todos sentindo que aquela era o tipo de porta que você salva antes de abrir, e, temerários, todos com vontade de abrí-la, mas com medo de ter que pagar algum nitrogênio líquido que vazasse, ou arriscar a vida dos companheiros, etc. ademais, nenhum de nós satisfatoriamente armados, concluímos que não era aventura para nosso nível, e que era melhor voltar à fauna segura do ceubinho, com seus meio-orcs ou bissexuais que pedem quatro cigarros de uma vez. ao menos é como me lembro.
*é FS, né? Fiquei sabendo o que era FS nesse dia, eu acho.
** pensei na angelina jolie, mas talvez contratá-la para o papel de Alice, ela que já fez Tomb Raider, seja como contratar o aranha tobey maguire para o papel de robin de algum futuro batman. no mínimo elimina possibilidades de crossover. (*)
*** com todo respeito, cada qual é cada cual; tenho, aliás, grande respeito pelos ciclopes, cuja organização social é a mais interessante da Odisséia e a que mais se assemelha àquela comunidade do Life of Brian que não reconhece a autoridade real.
(*) a menos que quando o maguire aranha e o maguire robin se encontrassem ficasse aquela tênue aura azul-fantasmagórico dos encontros chapolim-chaves. aí seria fera.
